quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Reencontro, as palavras ditas no silêncio de um olhar.

Um olhar diz mais do que qualquer palavra, eu sempre tive a certeza disso. E através dele podemos conversar com o coração. E acredite, em apenas um minuto de silêncio, tudo o que precisa ser dito, pode ser expressado entre olhares. Todo sentimento, lembranças de vários momentos, um conjuntos de sensações relembrados durante alguns instantes, num reencontro. Imagine você, após alguns anos reencontrar aquela pessoa que um dia você amou intensamente. E tudo o que você viveu, todo aquele sentimento se passar em apenas alguns instantes. Se imaginou? Ou, isso já aconteceu com você? Agora, pense no mix de sensações e sentimentos desse instante, sem dizer nenhuma palavra. Apenas o olhar para expressar todo esse momento. Assim, foi o que aconteceu com a Marina Abramovići. 
Na década de 70, ela viveu uma intensa história de amor, com o também artista Ulay. Durante 5 anos, viveram num forgão realizando diversas formas de performance. A união dois dois passou por muitos altos e baixos, como todo relacionamento intenso, até o dia em que o fim chegou. A separação foi devastadora para ela, pois conseguia enfrentar qualquer baque, exceto o abandono. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa sensação que a deseja. 
Então, em 30 de Março de 1988, Marina e Ulay fizeram sua última performance, chamada "The Lovers". Na época, cada um deles caminhou 2.500 km de pontas diferentes da Muralha da China. Ela começou a caminhar a partir do leste, das montanhas. E Ulay saiu do oeste, em um deserto. Após três meses, e milhares de quilômetros, encontraram-se no meio para dar o último grande abraço um no outro, o adeus.
 
Eis que mais de 20 anos depois, em maio de 2010, Marina fez uma performance ao vivo no MOMA, em Nova York, chamada ”The Artist Is Present”. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente.

 E sem que ela soubesse, Ulay se senta em silêncio na frente dela. Após tantos anos sem se ver, o reencontro. 
 

                            E após essa história dos dois, deixo a reflexão da Marina
“Todos se esforçam tanto para começar um relacionamento e tão pouco para acabar com ele”. 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Amor, uma tempestade no Oceano Pacifico.

E hoje eu escrevi sobre você e sobre tuas tentativas de me ganhar, de explorar e me conhecer. Sempre fui um desafio, eu nunca fui de me expor para qualquer pessoa e você sabe bem disso. Meu coração, um oceano profundo cheio de mistérios e que quase te afogou nas tuas tentativas de mergulhá-lo. E você nunca foi capaz de entender toda a minha intensidade, os meus pensamentos e as minhas opiniões. E foram ondas fortes demais pra você conseguir navegar. E eu tive medo de fazer você naufragar nas minhas tempestades. Pois, nunca conseguir ter o controle das minhas forças, mesmo sendo um oceano pacifico. Tenho uma imensidão de sentimentos e emoções dentro de mim. E você teve insanidade pra isso e aceitou o desafio. E não foi fácil, não foi. Te machuquei algumas vezes, te fiz ir até o fundo te deixando quase inconsciente e sem ar. E pra não te ver mais assim, te fiz voltar para superfície para que os ventos te levasse embora. Para longe do perigo da minha calmaria. Dessas águas mornas e paradisíacas que seduziram teus olhos e banharam o teu corpo. Para longe dessa loucura que você chamava de Amor.

sábado, 17 de junho de 2017

Garota Desbocada

Uma vez alguém me salvou de um dia bem frustrante. E não, não foi por um príncipe encantado ou por nenhum super herói como nós meninas acreditávamos ser salvas um dia. Fui salva através das palavras de um texto que guardava nas entrelinhas uma cumplicidade fora do comum. E me encantei com a naturalidade e todas as verdades escrachadas que nele havia. Descobrindo assim quem tinha sido a minha salvadora, uma Garota Desbocada.
 Como Alice que descobriu o País das Maravilhas, segui o som de uma música imaginária até descobrir o esconderijo da garota. E ela me viu, me deu a mão e com um sorriso de canto de boca me convidou para conhecer aquele lugar. Um lugar em que podemos falar sobre qualquer assunto, sem nenhum tabú. Onde ela pinta as emoções em telas grandes e com cores vibrantes. Degustando as palavras com um bom vinho e esquentando a alma e o coração com um bom café quente. Ela me ensinou a dançar tango ao som de uma música imaginária. Ela vive ensinando coisas novas para quem deseja entrar no esconderijo dela. E lá podemos ser o que quisermos. Ela é tipo a chefe do clã, a feiticeira principal que tem seus próprios livros de feitiços poéticos. E existe um livro principal no qual ela nos ensina a lidar com alguns bruxos e feiticeiros maus.
Na vida real ela é conhecida como "Professora Silvia". Que adora cinema, filosofia e qualquer assunto sobre psicanálise. Ela é bem popular com seus alunos e companheiros de filosofias contemporâneas e semióticas. Mas, ninguém imagina que por trás dessa "professora de cinema", se esconde sua verdadeira identidade. Uma heroína que tem o poder de salvar e encantar o mundo com as suas palavras. E que um dia eu fui salva por ela, por essa Garota Desbocada.




sexta-feira, 2 de junho de 2017

A Geração dos Relacionamentos Efémeros.

Tenho um certo receio desses relacionamentos contemporâneos. Desses "ficar" que na verdade nunca ficam. Que apenas querem suprir as carências sexuais e deixam as emocionais acumuladas. Tenho medo dessas relações superficiais que não se entregam, que não se arriscam e que não se permitem conhecer os defeitos do outro. Isso me dar a impressão de que os sentimentos se tornaram apenas status para as redes sociais. Parece que o amor foi dissolvido junto com a velocidade da tecnologia. É difícil de acreditar na veracidade de uma relação, quando num dia se faz juras de amor e no outro o sentimento acaba, por qualquer discussão ou besteira. Gerando uma competição de quem passa menos tempo na tal "Bad". Ou de quem passa mais tempo para visualizar fotos e mensagens. Ser livre está na moda nessa vida corrida, tornando os contatos afetivos e sociais tão efêmeros.
 No filme Todas as Cores do Amor (Goldfish Memory) retrata esse ciclo viciante de "corações partidos" em busca de relações perfeitas. Com a esperança de serem felizes a cada recomeço de uma nova relação, mesmo que no final seja mais uma decepção.
 Ele retrata bem essa necessidade de viver nessa vida frenética. Que não se tem tempo de conhecer, ouvir ou se deixa ouvir pelo outro. E isso é que causa o vazio e solidão. A falta de interesse na relação e o medo de se mostrar quem realmente é por dentro. De se entregar de corpo e alma. E de mostrar as fraquezas para o outro.
E esse é o meu temor, de que as pessoas percam essa conexão de pensamentos e sentimentos. Que tudo fique tão morno e perca a sua intensidade. De que o amor se torne banal.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Maio e o seus finais.

Então, chegamos a mais um fim de mês, chegamos aos últimos dias "marianos". Momento em que me pego cantando a música " Maio" do Kid Abelha. Tenho uma afeição enorme por esse mês e por esse momento de transição. Sim, Maio é o último mês da estação do outono, que é a estação de transição entre o verão e o inverno. E em que as noites são mais longas que os dias e já no finalzinho, os ventos ficam mais contantes e intensos. Derrubando as últimas folhas das árvores e anunciando a chegada do inverno (bem Games of Thones essa citação da chegada do inverno, rs!). 
Enfim, quem mora no litoral (assim como eu) é bem mais fácil de perceber agitação do mar e a força dos ventos, que anunciam as mudanças que estão para chegar. E para mim, essa época é muito intensa e sempre cheias de fins e recomeços. Quando tenho que deixar algumas coisas irem embora para que novas cheguem. As vezes não é fácil, mas, temos que aprender que os finais são novos começos. Novos relacionamentos, novo trabalho, novo sonho e aquele mix de sentimentos que sempre vamos ter de  inicio que são dúvida, medo e incertezas. Mas, como diz no trecho da música "É hora de se mover pra viver mil vezes mais, esqueça os meses, esqueça os seus finais, esqueça os finais!". É hora de  desapegar, de deixar ir embora o que realmente nunca foi nosso e seguir adiante. Pois, a vida tem essa necessidade de começo e fim. É como numa frase que eu encontrei (desconheço a autoria) que diz: "A vida é como o vento de Outono. Ela se encarrega de levar tudo o que não deve permanecer com você". E é por isso que gosto tanto desse momento que é de grande reflexão para mim. E que compartilho com aqui com você. Deixo essa minha anunciação do frio. Que me faz lembra que as leituras dos livros ficaram mais poéticas e com aroma e sabor de café quente.




terça-feira, 23 de maio de 2017

Assuntos mal resolvidos: Amores e alguns desejos.

Se quiser me acompanhar nesses meus pensamentos aqui compartilhados, uma sugestão que te deixo é ouvir "Counting Down The Day". É o que estou escutando enquanto escrevo nesse momento, acho que você vai gostar. 
Bem, de vários temas que eu pensava em postar aqui, falar de assuntos mal resolvidos era o que mais me consumia ultimamente. E começar escrever aqui era um dos meus desejos "mal resolvidos". Pois, a vontade de escrever e colocar as minhas idéias insanas aqui era um desejo antigo. Mas, nunca tinha coragem de escreve. Na verdade, não acreditava que poderia escrever alguma coisa de interessante num blog. Ah! E de inicio, obrigada por já ter chegado até aqui nessa minha postagem. Esse é um sinal de que estou indo bem e você acredita em mim. rs! Mas, voltando ao assunto não resolvido, eu acredito que todo mundo tenha algum (ou alguns!). Pode ser algum tipo de relacionamento que de alguma maneira terminou (ou não se deu um fim), algum desejo ou sonho que a gente não realizou. E sim, isso vai ser uma perseguição até você colocar em pratos limpos e colocar um ponto final.
Tudo bem que existe coisas momentâneas e que alguns desejos não são tão importantes assim, só naquele momento. Mas, e quando falamos de pessoas? amores?  E de relacionamentos que eram tão intensos num instante e no outro acaba (ou não)? 
Quando uma pessoa morre a gente sofre com a perda dela, e temos que passar por aquele luto. Vai ser triste, doloroso, mas, temos que continuar a vida. Porém, quando o caso é de pessoas que sumiram no mundo? Aquelas que tínhamos uma ligação forte e de repente, sem qualquer explicação, apenas some. E como é difícil conviver com esse espaço vazio. Tentar esquecer se torna torturante. Pois,vivemos com o fantasma de quem não morreu. E que por diversas (milhões de vezes) tentamos matar as lembranças para não sofrer tanto. É difícil e demorado tentar esquecer. Ou melhor, arquivar tudo isso naquela última gaveta para não ficar tão acessivo no nosso dia-a dia. E sim, tentamos dar seguimentos na nossa vida. E alguns anos passam...
 Mas, sabemos que todo assunto mal resolvido não tem "." tem "..." e a vida por sacanagem (uma puta de uma sacanagem), faz você reencontrar com aquela "pessoa" mais uma vez.
E a sensação do momento é confusa. É amor, raiva, saudades e a vontade de querer que não tivesse mais nada nos arquivos da memória. Que todo aquele sentimento tivesse sido deletado de vez. Sabemos que não é verdade. Só que os anos que se passaram foram para se construir algo novo. E esse reencontro não é de reviver tudo aquilo novamente. Mas, de dar o "ponto final" e de enterrar os mortos. Preencher o espaço que estava vazio com uma conversa clara e demorada. Para enfim, descansar em paz.




Reencontro, as palavras ditas no silêncio de um olhar.

Um olhar diz mais do que qualquer palavra, eu sempre tive a certeza disso. E através dele podemos conversar com o coração. E acredite, em ...