sábado, 17 de junho de 2017

Garota Desbocada

Uma vez alguém me salvou de um dia bem frustrante. E não, não foi por um príncipe encantado ou por nenhum super herói como nós meninas acreditávamos ser salvas um dia. Fui salva através das palavras de um texto que guardava nas entrelinhas uma cumplicidade fora do comum. E me encantei com a naturalidade e todas as verdades escrachadas que nele havia. Descobrindo assim quem tinha sido a minha salvadora, uma Garota Desbocada.
 Como Alice que descobriu o País das Maravilhas, segui o som de uma música imaginária até descobrir o esconderijo da garota. E ela me viu, me deu a mão e com um sorriso de canto de boca me convidou para conhecer aquele lugar. Um lugar em que podemos falar sobre qualquer assunto, sem nenhum tabú. Onde ela pinta as emoções em telas grandes e com cores vibrantes. Degustando as palavras com um bom vinho e esquentando a alma e o coração com um bom café quente. Ela me ensinou a dançar tango ao som de uma música imaginária. Ela vive ensinando coisas novas para quem deseja entrar no esconderijo dela. E lá podemos ser o que quisermos. Ela é tipo a chefe do clã, a feiticeira principal que tem seus próprios livros de feitiços poéticos. E existe um livro principal no qual ela nos ensina a lidar com alguns bruxos e feiticeiros maus.
Na vida real ela é conhecida como "Professora Silvia". Que adora cinema, filosofia e qualquer assunto sobre psicanálise. Ela é bem popular com seus alunos e companheiros de filosofias contemporâneas e semióticas. Mas, ninguém imagina que por trás dessa "professora de cinema", se esconde sua verdadeira identidade. Uma heroína que tem o poder de salvar e encantar o mundo com as suas palavras. E que um dia eu fui salva por ela, por essa Garota Desbocada.




sexta-feira, 2 de junho de 2017

A Geração dos Relacionamentos Efémeros.

Tenho um certo receio desses relacionamentos contemporâneos. Desses "ficar" que na verdade nunca ficam. Que apenas querem suprir as carências sexuais e deixam as emocionais acumuladas. Tenho medo dessas relações superficiais que não se entregam, que não se arriscam e que não se permitem conhecer os defeitos do outro. Isso me dar a impressão de que os sentimentos se tornaram apenas status para as redes sociais. Parece que o amor foi dissolvido junto com a velocidade da tecnologia. É difícil de acreditar na veracidade de uma relação, quando num dia se faz juras de amor e no outro o sentimento acaba, por qualquer discussão ou besteira. Gerando uma competição de quem passa menos tempo na tal "Bad". Ou de quem passa mais tempo para visualizar fotos e mensagens. Ser livre está na moda nessa vida corrida, tornando os contatos afetivos e sociais tão efêmeros.
 No filme Todas as Cores do Amor (Goldfish Memory) retrata esse ciclo viciante de "corações partidos" em busca de relações perfeitas. Com a esperança de serem felizes a cada recomeço de uma nova relação, mesmo que no final seja mais uma decepção.
 Ele retrata bem essa necessidade de viver nessa vida frenética. Que não se tem tempo de conhecer, ouvir ou se deixa ouvir pelo outro. E isso é que causa o vazio e solidão. A falta de interesse na relação e o medo de se mostrar quem realmente é por dentro. De se entregar de corpo e alma. E de mostrar as fraquezas para o outro.
E esse é o meu temor, de que as pessoas percam essa conexão de pensamentos e sentimentos. Que tudo fique tão morno e perca a sua intensidade. De que o amor se torne banal.

Reencontro, as palavras ditas no silêncio de um olhar.

Um olhar diz mais do que qualquer palavra, eu sempre tive a certeza disso. E através dele podemos conversar com o coração. E acredite, em ...